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A Hora da Estrela na Confraria: resenha sobre o clássico de Clarice Lispector

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No último domingo (24 de agosto), a Confraria das Traças concluiu a leitura de A Hora da Estrela , de Clarice Lispector, obra que se revelou uma experiência intensa e ao mesmo tempo agradável para todos os participantes. O romance, publicado em 1977, pouco antes da morte da autora, é um dos textos mais enigmáticos e poéticos da literatura brasileira, no qual se entrelaçam questões existenciais, filosóficas e sociais. A trajetória de Macabéa, personagem marcada pela simplicidade e pelo silêncio, coloca em evidência temas como a precariedade da vida, a marginalidade e a busca por sentido diante do vazio. A leitura coletiva permitiu não apenas acompanhar a narrativa, mas também refletir sobre a riqueza estilística e simbólica de Clarice, cuja escrita expande os limites da linguagem e provoca no leitor tanto encantamento quanto desconcerto. Ao final da leitura a Confraria presenteou à Raíssa Fernandes uma edição de " O Morro dos Ventos Uivantes ", de Emily Brontë, por ela ter sid...

Comentário sobre o poema "Cidade, City, Cité", de Augusto de Campos

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Farei a seguir um comentário a respeito de um poema de Augusto de Campos, de sua obra a Caixa Preta , de 1975, intitulado de "Cidade, City e cité": atrocaducapacaustiduplielastifeliferofugahistoriloqualubrimendimultipliorganiperiodiplastipublirapareciprorustisagasimplitenaveloveravivaunivora cidade city cité Certamente, à primeira vista, você não entendeu o que estava escrito nesse poema. O emaranhado de letras e as últimas três palavras (cidade, city e cité) sugerem uma espécie de enigma. Se considerarmos como tal, precisamos examinar o poema com atenção para decifrá-lo. Sabemos que o valor em si da poesia concreta se encontra dentro da experimentação formal e a valorização da palavra como elemento visual e espacial, além de sonora. Muitos poemas desse estilo não carregam um sentido tão claro ou uma expressão subjetiva, mas e m alguns casos ela pode conter um sentido, e até pode ser utilizada como forma de crítica social, como é o caso do poema "Beba coca-cola" de ...

Comentário: acerca do poema de Drummond sobre a insatisfação e o tédio humano

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O poema " O homem; as viagens ", de Drummond de Andrade, é um verdadeiro passeio sobre o tédio humano. A busca por uma felicidade ideal torna-se um constante problema, afinal, esta busca exacerbada pela felicidade plena pode simplesmente proporcionar ao indivíduo sempre um sentimento de incompletude. Nesse sentido, é produzido sujeitos sociais angustiados sofrendo de um profundo vazio existencial. Vamos ao poema, e depois continuamos a nossa reflexão: O homem, bicho da Terra tão pequeno Chateia-se na Terra Lugar de muita miséria e pouca diversão, Faz um foguete, uma cápsula, um módulo Toca para a Lua Desce cauteloso na Lua Pisa na Lua Planta bandeira na Lua Experimenta a Lua Coloniza a Lua Civiliza a Lua Humaniza a Lua. Lua humanizada: tão igual à Terra. O homem chateia-se na Lua. Vamos para Marte – ordena a suas máquinas. Elas obedecem, o homem desce em Marte Pisa em Marte Experimenta Coloniza Civiliza Humaniza Marte com engenho e arte. Marte humanizado, que lugar quadrado V...

Providência e Liberdade em "O Conde de Monte Cristo": entre a Justiça Divina e as Escolhas Humanas

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Em O Conde de Monte Cristo , Alexandre Dumas articula uma narrativa que pode ser lida não apenas como uma história de vingança, mas também como uma reflexão profunda sobre a tensão entre a Providência e a liberdade humana.  Um dos episódios mais significativos nesse sentido é a morte de Caderousse, que, esfaqueado por Benedetto durante uma tentativa de roubo, sucumbe ao próprio destino marcado por escolhas erradas e sucessivos desvios morais. Disfarçado de Abade Busoni, o Conde de Monte Cristo (Edmond Dantès) presencia o desfecho da trajetória de Caderousse, encerrando um ciclo de corrupção e ganância que o próprio Dantès havia previsto e, de certo modo, testado. Caderousse sendo surpreendido pelo Abade Busoni enquanto roubava a casa do Conde de Monte Cristo Caderousse, ao longo da trama, simboliza o homem que, mesmo diante de oportunidades de redenção, insiste em trilhar o caminho da mediocridade moral. Segundo a observação crítica de Dantès, ele era um homem que possuía, em essên...

Casamento e Poder: uma reflexão sobre a sociedade do século XIX

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No livro O Conde de Monte Cristo, do escritor francês Alexandre Dumas (1802 - 1870), acompanhamos a subtrama do procurador do Rei, o sr. Gérard de Villefort, querendo casar a sua filha, a srta. Valentine de Villefort, com o barão Franz d'Epinay. Esse casamento é um mero contrato de negócio entre as famílias Quesnel e Villefort. Aliás, a jovem Valentine ama outra pessoa, o capitão Maximillien Morrell. Ainda na mesma história de Dumas, encontramos outra subtrama semelhante. O banqueiro Danglars desejava casar a sua filha, a srta. Eugénie Danglars, com o visconde Albert de Morcef, mas o burguês reconsiderou tal contrato conjugal porque Albert não é tão milionário assim, e só o que possui de fato é o seu título de nobreza aristocrática. Danglars é muito ambicioso e deseja se aliar a alguém que triplique o seu capital, assim ele é convencido (na verdade, enganado) pelo Conde de Monte Cristo de que o melhor seria se ele casasse a sua filha com um príncipe italiano chamado Andrea Cavalcan...

Apresentação do blog "Confraria das Traças"

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Como já disse no site  Dito & Feito  sobre a Confraria das Traças, o propósito deste projeto é ser um clube de leitura e discussão, tendo como compromisso seguir esses pontos: I) ser um grupo em que qualquer um pode participar; II) ser é um grupo de discussão, de leitura coletiva e de divulgação do conhecimento; III) não ser um grupo fechado ou restrito a um único gênero de “ escritura ”. Podemos dizer que, apesar dos pesares e dificuldades, conseguimos realizar com primazia alguns desses pontos, até mesmo realizando um "café literário" com muita música e poesia. Realizamos muitos encontros ao longo desse tempo de existência do grupo, de uma lista de 13 livros nós já lemos 8. A experiência que obtivemos foi excelente, tanto na parte intelectual quanto na parte da organização do grupo. Tivemos encontros com um número muito elevado de pessoas participando, mas houve outros que, infelizmente, não apareceu ninguém. Esses encontros que não houveram participação denota claramen...